CELESTE
Vi-te crescer! tu eras a criança A
Mais linda, mais gentil, mais delicada: B Rimas interpoladas
Tinhas no rosto as cores da alvorada B
E o sol disperso pela loira trança. A
Asas tinhas também, as da esperança... A
E de tal sorte eras sutil e alada B Rimas interpoladas
Que parecias ave arrebatada B
Na luz do Espaço onde a razão descansa! A
Depois, então, fizeste-te menina, C
Visão de amor, puríssima, divina, C
Perante a qual ainda hoje me ajoelho. D Rimas emparelhadas
Cresceste mais! És bela e moça agora... E
Mas eu, que acompanhei toda essa aurora, E
Sinto bem quanto estou ficando velho D
Análise estrutural
Soneto decassílabo
Rimas interpoladas nos quartetos: ABBA ABBA e emparelhadas nos tercetos
Rimas soantes agudas: criança/trança/esperança/descansa; delicada/alvorada/alada/arrebatada; menina/divina; agora/aurora
Rimas graves imperfeitas: ajoelho/velho
Rimas ricas: esperança/descansa; alada/arrebatada (?); agora/aurora
Metáforas, símile e sinestesia destacadas em negrito
O soneto de Cruz e Sousa apresenta uma linguagem simples cheia de verbos de ligação e adjetivos que caracterizam o estado de alma do eu-lírico e a essência de sua interlocutora, por assim dizer. As construções verbais no passado nos dois quartetos vivificam a memória do eu-lírico, suas lembranças são marcadas por metáforas e pela caracterização quase romântica de suaceleste. Rememora quando esta figura feminina ainda na mais tenra idade tinha as faces rubras, figuradas pelas cores da alvorada de sua vida, que então despontava como o raiar da manhã, na qual o sol, acabado de nascer dá aos cabelos da menina, suas cores primárias e luminosas. No segundo quarteto outra metáfora caracteriza a moça pela leveza das asas de uma ave sutil e de agradável presença. A esperança aparece travestida de ave, o que nos leva a crer que a própria criança representa simbolicamente uma confiança no futuro ainda distante. O jogo entre Espaço e o título do poema, Celeste, sugere muito sobre a forma como a menina se relaciona com o meio em que estava inserida. Este meio representado pelo Espaço onde, cercado por adultos, a razão, a intelectualidade e teorias quânticas da existência são seus mais prototípicos elementos, aquele corpo celeste viria como uma contraposição da dureza desta tradição cientificista, como o simbolismo procurou tratar as mudanças sociais nos fins do século XIX e início do século XX. Esta figura celeste, com sua beleza, amabilidade e sutilezas não se estanca neste estágio; o eu-lírico descreve com igual devoção a segunda fase da vida desta figura feminina, período que corresponderia à segunda infância e pré-adolescência nos termos etários não poéticos. O eu lírico permanece em seu estado de admiração e enlevo pela celestial menina, elevando-lhe agora sua caracterização culminando no adjetivo divina, ponto supremo de transcendência e imaterialidade da menina que acompanha. Marca sua admiração e a manutenção de seu encantamento ao finalizar a terceira estrofe com o verbo no presente. Todos estes elementos anteriormente mencionados são ainda motivo de devoção. Esta espécie de gradação temporal com os verbos de ligação no pretérito, sobretudo, estabelecem um plano de correspondências no soneto, fechando o último terceto com o paralelismo que o eu-lírico estabelece entre ele mesmo, agora velho, e a celeste agora moça.
A passagem do tempo, uma das grandes temáticas da estética simbolista está presente neste texto e de forma sutil, com diferentes recursos expressivos, constrói um percurso metafórico bastante importante e melancólico desde o nascimento até a velhice fazendo uma outra correspondência entre a aurora do dia e a vida. A aurora da vida da celeste mais que uma experiência particular pode ser tomada como metonímica da experiência humana, em que todos nascem, crescem, e um dia chegam ao final da aurora, ou pôr do sol. Este final da vida, apesar de não retratado explicitamente traz ao eu-lírico uma melancolia e sensação de passagem do tempo inevitável e inerente à existência, que acumula sensações, memórias e experiências significativas tanto interiormente quanto em contato com o outro.
DILACERAÇÕES
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Ó carnes que eu amei sangrentamente,
Ó volúpias letais e dolorosas,
Essências de heliotropos e de rosas
De essência morna, tropical, dolente...
Carnes virgens e tépidas do Oriente
Do Sonho e das Estrelas fabulosas,
Carnes acerbas e maravilhosas,
Tentadoras do sol intensamente...
Passai, dilaceradas pelos zeros,
Através dos profundos pesadelos
Que me apunhalam de mortais horrores...
Passai, passai, desfeitas em tormentos,
Em lágrimas, em prantos, em lamentos,
Em ais, em luto, em convulsões, em cores...
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Esquema rímico: ABBA ABBA CCD CCD
Palavras de destaque: carnes, volúpias (prazeres), dolente, acerbas (azedas, cruéis), pesadelos, apunhalam, mortais horrores, tormentos, lágrimas, prantos, lamentos, luto, convulsões.
O poema Dilacerações, de Cruz e Sousa, evoca as lembranças afetivas do eu-lírico para com a carne, definida por ele através das antíteses “volúpias letais e dolorosas” e “acerbas e maravilhosas”. A ideia construída pelo poema parece almejar o desprendimento do que é concreto, da carne, já que ela, apesar de ter sido maravilhosa, apunhala o eu-lírico pelas costas através de pesadelos e acaba por desmanchar-se em lágrimas, prantos, lamentos, ais, luto, convulsões e cores.
Os últimos versos deixam claro que os prazeres passam, mas eles acabam por deixar consequências: a tristeza e o sofrimento. As expressões “passai, passai” do eu-lírico também expressam um sentimento de desejo que se contrapõe ao das duas primeiras estrofes: apesar de reconhecer o sofrimento nas duas primeiras estrofes, a carne ainda é prazerosa, mas, nas duas últimas, o desejo já é o de que estes sentimentos vão embora. Estas ideias também podem ser representadas pelo próprio esquema rímico, já que as duas primeiras estrofes e as duas últimas possuem um padrão — ABBA e ABBA, representando o mesmo desejo do prazer, e CCD e CCD, representando a vontade de que o sofrimento consequente do prazer acabe.
Uma característica bastante forte do poema é a constante incidência da consoante “S” durante a leitura, que, em termos onomatopaicos, pode representar uma turbulência ou até mesmo uma tentativa de demarcar todo o poema com o “S” da palavra sofrimento.
Pacto das Almas - (II) Longe de tudo
É livre, livre desta vã matéria, A
Longe, nos claros astros peregrinos B
Que haveremos de encontrar os dons divinosB
E a grande paz, a grande paz sidérea.A
Cá nesta humana e trágica miséria, A
Nestes surdos abismos assassinos B
Temos de colher de atros destinos B
A flor apodrecida e deletéria.A
O baixo mundo que troveja e bramaC
Só nos mostra a caveira e só a lama, C
Ah! só a lama e movimentos lassos...D
Mas as almas irmãs, almas perfeitas, E
Hão de trocar, nas Regiões eleitas, E
Largos, profundos, imortais abraços! D
Longe, nos claros astros peregrinos B
Que haveremos de encontrar os dons divinosB
E a grande paz, a grande paz sidérea.A
Cá nesta humana e trágica miséria, A
Nestes surdos abismos assassinos B
Temos de colher de atros destinos B
A flor apodrecida e deletéria.A
O baixo mundo que troveja e bramaC
Só nos mostra a caveira e só a lama, C
Ah! só a lama e movimentos lassos...D
Mas as almas irmãs, almas perfeitas, E
Hão de trocar, nas Regiões eleitas, E
Largos, profundos, imortais abraços! D
(A Nestor Vítor Por Devotamento e Admiração. Cruz e Sousa. 12/10/1897)
Pacto das Almas - longe de tudo
O poeta fala da vida do ser humano como uma experiência passageira destinada ao fim, revela ser a alma a única parte imortal e serena que é livre de apegos e pode resgatar-se a si e aos seus amigos.
Soneto, os versos são livres.
Há rimas pobres e ricas: matéria-sidéria, peregrinos – divinos, miséria-deletéria, assassinos – destinos,brama – lama, perfeitas – eleitas.
Rimas cruzadas ABBA ABBA,CCD, EED
Metáforas -astros peregrinos, trágica miséria,vã matéria,surdos abismos assassinos.
Aliterações: livre, livre,grande, grande.
Assonâncias: brama, lama, perfeitas, eleitas.
DE ALMA EM ALMA
Tu andas de alma em alma errando, errando, A
como de santuário em santuário.B
És o secreto e místico templário B
As almas, em silêncio, contemplando.A
Não sei que de harpas há em ti vibrando,A
que sons de peregrino estradivário B
Que lembras reverências de sacrário B
E de vozes celestes murmurando. A
Mas sei que de alma em alma andas perdidoC
Atrás de um belo mundo indefinidoC
De silêncio, de Amor, de Maravilha.D
Vai! Sonhador das nobres reverências!E
A alma da Fé tem dessas florescências,E
Mesmo da Morte ressuscita e brilha!D
como de santuário em santuário.B
És o secreto e místico templário B
As almas, em silêncio, contemplando.A
Não sei que de harpas há em ti vibrando,A
que sons de peregrino estradivário B
Que lembras reverências de sacrário B
E de vozes celestes murmurando. A
Mas sei que de alma em alma andas perdidoC
Atrás de um belo mundo indefinidoC
De silêncio, de Amor, de Maravilha.D
Vai! Sonhador das nobres reverências!E
A alma da Fé tem dessas florescências,E
Mesmo da Morte ressuscita e brilha!D
O 'Eu' lírico do poeta conversa com o locutário sobre o comportamento do ser humano e a interação dele com a própria alma e as outras almas, fala também da imortalidade da alma.
Soneto
assonâncias - santuário - templário, estradivário- sacrário, perdido- indefinido, reverências - florescências
Cárcere das almas
Cruz e Souza
Ah! Toda a Alma num cárcere anda presa, A
soluçando nas trevas, entre as grades B
do calabouço olhando imensidades, B
mares, estrelas, tardes, natureza. A
Tudo se veste de uma igual grandeza A
quando a alma entre grilhões as liberdades B
sonha e sonhando, as imortalidades B
rasga no etéreo Espaço da Pureza. A
Ó almas presas, mudas e fechadas C
nas prisões colossais e abandonadas, C
da Dor no calabouço, atroz, funéreo! D
Nesses silêncios solitários, graves,E
que chaveiro do Céu possui as chaves E
para abrir-vos as portas do Mistério?!D
soluçando nas trevas, entre as grades B
do calabouço olhando imensidades, B
mares, estrelas, tardes, natureza. A
Tudo se veste de uma igual grandeza A
quando a alma entre grilhões as liberdades B
sonha e sonhando, as imortalidades B
rasga no etéreo Espaço da Pureza. A
Ó almas presas, mudas e fechadas C
nas prisões colossais e abandonadas, C
da Dor no calabouço, atroz, funéreo! D
Nesses silêncios solitários, graves,E
que chaveiro do Céu possui as chaves E
para abrir-vos as portas do Mistério?!D
Soneto – composto por quatro estrofes ( dois quartetos – quatro versos e dois tercetos – três versos).
Aliterações – sonha e sonhando/ silêncios solitários.
Assonância – mares, estrelas, tardes, natureza, Céu possui chaves .
Os versos são decassílabos – dez sílabas poéticas.
Os poemas de Cruz e Sousa são demarcados por pessimismo, metáforas, perfeccionismo formal, polissemias. A linguagem é geralmente indireta, no poema “Cárcere das Almas” ele não utiliza a palavra corpo uma única vez para designar o quê a alma habita, coloca assim a poesia dentro de um contexto religioso-filosófico recheado de questões humanas de toda espécie.
O cárcere das Almas como o próprio título diz refere-se ao Guardião das Almas, o tema exposto trata das almas presas e fechadas, não apenas da manifestação do “eu” lírico como sentindo-se fechado e sim como fazendo parte de um grupo que tem os mesmos sentimentos. A passagem – experiência individual – de cada um possui ao mesmo tempo uma expressão de coletividade em relação as dores. A alma chora, porque está “soluçando nas trevas”. Chora porque está privada de sua liberdade num calabouço dentro de um mundo subterrâneo fazendo-nos interpretar que de certo modo todos estamos configurados a estar em algum tipo de escravidão, cuja liberdade não depende apenas de nós e sim de outros detalhes externos e subjetivos, afinal,
“Que chaveiro do céu possui as chaves
Para abrir-vos as portas do mistério?!”
Sacrilégio
Como a alma pura, que teu corpo encerra, A
Podes, tão bela e sensual, conter? B
Pura demais para viver na terra, A
Bela demais para no céu viver. B
Amo-te assim! - exulta, meu desejo! A
É teu grande ideal que te aparece, B
Oferecendo loucamente o beijo, A
E castamente murmurando a prece! B
Amo-te assim, à fronte conservando A
A parra e o acanto, sob o alvor do véu, B
E para a terra os olhos abaixando, A
E levantando os braços para o céu. B
Ainda quando, abraçados, nos enleva A
O amor em que me abraso e em que te abrasas, B
Vejo o teu resplandor arder na treva A
E ouço a palpitação das tuas asas. B
Em vão sorrindo, plácidos, brilhantes, A
Os céus se estendem pelo teu olhar, B
E, dentro dele, os serafins errantes A
Passam nos raios claros do luar: B
Podes, tão bela e sensual, conter? B
Pura demais para viver na terra, A
Bela demais para no céu viver. B
Amo-te assim! - exulta, meu desejo! A
É teu grande ideal que te aparece, B
Oferecendo loucamente o beijo, A
E castamente murmurando a prece! B
Amo-te assim, à fronte conservando A
A parra e o acanto, sob o alvor do véu, B
E para a terra os olhos abaixando, A
E levantando os braços para o céu. B
Ainda quando, abraçados, nos enleva A
O amor em que me abraso e em que te abrasas, B
Vejo o teu resplandor arder na treva A
E ouço a palpitação das tuas asas. B
Em vão sorrindo, plácidos, brilhantes, A
Os céus se estendem pelo teu olhar, B
E, dentro dele, os serafins errantes A
Passam nos raios claros do luar: B
Em vão! - descerras úmidos, e cheios A
De promessas, os lábios sensuais, B
E, à flor do peito, empinam-se-te os seios, A
Ameaçadores como dois punhais. B
Como é cheirosa a tua carne ardente! A
Toco-a, e sinto-a ofegar, ansiosa e louca. B
Beijo-a, aspiro-a... Mas sinto, de repente, A
As mãos geladas e gelada a boca: B
Parece que uma santa imaculada A
Desce do altar pela primeira vez, B
E pela vez primeira profanada A
Tem por olhos humanos a nudez... B
Embora! hei de adorar-te nesta vida, A
Já que, fraco demais para perdê-la, B
Não posso um dia, deusa foragida, A
Ir amar-te no seio de uma estrela. B
Beija-me! Ficarei purificado A
Com o que de puro no teu beijo houver; B
Ficarei anjo, tendo-te ao meu lado: A
Tu, ao meu lado, ficarás mulher. B
Que me fulmine o horror desta impiedade! A
Serás minha! Sacrílego e profano, B
Hei de manchar a tua castidade A
E dar-te aos lábios um gemido humano! B
De promessas, os lábios sensuais, B
E, à flor do peito, empinam-se-te os seios, A
Ameaçadores como dois punhais. B
Como é cheirosa a tua carne ardente! A
Toco-a, e sinto-a ofegar, ansiosa e louca. B
Beijo-a, aspiro-a... Mas sinto, de repente, A
As mãos geladas e gelada a boca: B
Parece que uma santa imaculada A
Desce do altar pela primeira vez, B
E pela vez primeira profanada A
Tem por olhos humanos a nudez... B
Embora! hei de adorar-te nesta vida, A
Já que, fraco demais para perdê-la, B
Não posso um dia, deusa foragida, A
Ir amar-te no seio de uma estrela. B
Beija-me! Ficarei purificado A
Com o que de puro no teu beijo houver; B
Ficarei anjo, tendo-te ao meu lado: A
Tu, ao meu lado, ficarás mulher. B
Que me fulmine o horror desta impiedade! A
Serás minha! Sacrílego e profano, B
Hei de manchar a tua castidade A
E dar-te aos lábios um gemido humano! B
E à sombria mudez do santuário A
Preferirás o cálido fulgor B
De um cantinho da terra, solitário, A
Iluminado pelo meu amor... B
Olavo Bilac, in "Poesias"
Preferirás o cálido fulgor B
De um cantinho da terra, solitário, A
Iluminado pelo meu amor... B
Olavo Bilac, in "Poesias"
No plano temático sobre a morte, a alma os dois poetas tem uma visão e uma expressão muito distinta, além de pertencerem a períodos diferentes representantes de movimentos contrários: O simbolista e o parnasiano.
Enquanto Cruz e Sousa ao falar da alma e da liberdade não necessita usar a palavra corpo para fazer qualquer tipo de referência ao suposto elemento de ligação entre o corpo-alma no poema “Cárcere das Almas”, Bilac abre seu verso em “Sacrilégio” com “Como a alma pura, que teu corpo encerra,”, porque seus enfoques são diferentes. Para o simbolista Cruz e Sousa a transcendência espiritual, a integração cósmica, o mistério, o conflito entre a matéria e o espírito, a angústia e a sublimação carregados de sinestesias, metáforas , aliterações e assonâncias são muito mais fortes e necessárias do que são para o Parnasiano Bilac, cuja preocupação está em fazer a arte pela arte porque a poesia vale por si, não tendo assim nenhum tipo de compromisso a justificar, justificando-se por sua beleza. Não assume nenhum tipo de compromisso, mas, esteticamente busca a perfeição formal a todo custo, pois focaliza cada detalhe, o objeto se singulariza, as palavras são raras e as rimas são ricas. O poeta apresenta o fato, a personagem: a alma neste caso. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofe de quatro versos.
Inefável - Cruz e Sousa
Na/da há / que / me / do/mi/ne e / que / me /vença/ça (A)
Quan/do / a /min/hal/ma um/da/men/te a/cor/da... (B)
E/la / re/bem/ta em / flor, / e/la / trans/bor/da (B)
Nos / al/vo/ro/ços / da e/mo/ção / i/men/sa. (A)
Sou como um Réu de celestial Sentença, (A)
Condenado do Amor, que se recorda (B)
Do Amor e sempre no Silêncio borda (B)
D’estrelas todo o céu em que erra e pensa. (A)
Claros, meus olhos tornam-se claros (C)
E tudo vejo dos encantos raros (C)
E de outras mais serenas madrugadas. (D)
Todas as vozes que procuro e chamo (E)
Ouço-as dentro de mim, porque eu as amo (E)
Na minh’alma volteando arrebatadas! (D)
Na/da há / que / me / do/mi/ne e / que / me /vença/ça (A)
Quan/do / a /min/hal/ma um/da/men/te a/cor/da... (B)
E/la / re/bem/ta em / flor, / e/la / trans/bor/da (B)
Nos / al/vo/ro/ços / da e/mo/ção / i/men/sa. (A)
Sou como um Réu de celestial Sentença, (A)
Condenado do Amor, que se recorda (B)
Do Amor e sempre no Silêncio borda (B)
D’estrelas todo o céu em que erra e pensa. (A)
Claros, meus olhos tornam-se claros (C)
E tudo vejo dos encantos raros (C)
E de outras mais serenas madrugadas. (D)
Todas as vozes que procuro e chamo (E)
Ouço-as dentro de mim, porque eu as amo (E)
Na minh’alma volteando arrebatadas! (D)
Classificação
Morte: alma;
Religiosidade: celestial;
Branco: estrelas, claros;
Noite/noturno: madrugadas.
Interpretação
Podemos dizer que para o autor não existe algo que o vença e o domine quando se trata de emoções e sentimentos. Ele denomina-se réu do amor, como um prisioneiro com uma sentença a cumprir pela vida inteira.
Figuras de linguagem
assonância, aliteração e metáforas há em todos os sonetos.
